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Diagnóstico técnico e reparo definitivo na lataria

A corrosão na lataria continua sendo um dos problemas mais críticos na reparação automotiva. Embora muitos serviços de funilaria estejam associados a colisões, grande parte das intervenções ocorre devido ao avanço silencioso da oxidação estrutural. Além disso, quando não há diagnóstico técnico adequado, o risco de retrabalho e perda de credibilidade aumenta significativamente.

Esse cenário exige domínio de processos, conhecimento de materiais e decisões estratégicas sobre reparar ou substituir componentes. Portanto, compreender como a ferrugem se inicia, evolui e compromete a carroceria é fundamental para garantir durabilidade, segurança e rentabilidade do serviço.

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Por que a corrosão na lataria é um problema estrutural

A chapa automotiva é composta majoritariamente por aço, um material que tende naturalmente a oxidar quando exposto à umidade e ao oxigênio. No veículo, camadas de proteção, primer, tinta e verniz retardam esse processo. No entanto, qualquer falha nessa proteção permite que a corrosão se instale.

Além disso, a oxidação não compromete apenas a estética. Ela reduz a espessura da chapa, altera sua resistência mecânica e pode afetar pontos estruturais importantes. Consequentemente, áreas aparentemente intactas podem apresentar fragilidade interna significativa.

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Regiões da carroceria mais suscetíveis à corrosão

Algumas partes do veículo concentram maior exposição à água, sujeira e contaminantes químicos. Por isso, essas regiões costumam apresentar os primeiros sinais de corrosão.

Caixas de ar

As caixas de ar são consideradas o principal ponto crítico. Como ficam muito próximas ao solo, acumulam lama, água e detritos continuamente. Além disso, a ventilação limitada dificulta a secagem, criando um ambiente propício para oxidação interna progressiva.

Bordas inferiores de portas

A água escoa naturalmente para a parte inferior das portas. Quando os drenos estão obstruídos, a umidade permanece retida e inicia o processo corrosivo de dentro para fora.

Tampa traseira e áreas sob guarnições

Borrachas e frisos podem reter água sem que haja evaporação adequada. Consequentemente, a ferrugem avança internamente antes de se tornar visível.

Paralamas e regiões próximas às rodas

Essas áreas recebem impacto constante de partículas abrasivas e contaminantes. Portanto, pequenas falhas na pintura rapidamente evoluem para corrosão ativa.

Como a ferrugem realmente começa

Ao contrário do que muitos imaginam, a corrosão estrutural raramente se inicia na superfície externa. Na maioria dos casos, ela começa em cavidades internas onde a proteção é limitada e a umidade permanece por longos períodos.

Inicialmente surgem microfocos de oxidação invisíveis. Depois, a pressão interna provoca bolhas na pintura. Somente em estágio avançado aparecem manchas ou perfurações. Portanto, quando o dano se torna visível, o comprometimento interno já pode ser significativo.

Leia também: Como aumentar seu lucro na reparação automotiva.

Níveis de corrosão e decisões de reparo

Classificar corretamente o estágio da corrosão permite definir a intervenção mais adequada. Além disso, evita promessas irreais de durabilidade.

Corrosão superficial

Afeta apenas a camada externa do metal e geralmente ocorre quando a chapa fica exposta temporariamente. Nesse caso, é possível remover a ferrugem, aplicar tratamento químico e restaurar a proteção original com alto nível de confiabilidade.

Corrosão intermediária

A oxidação já penetra na estrutura da chapa e pode causar enfraquecimento parcial. Embora ainda seja possível realizar reparos localizados, a durabilidade depende da extensão real do dano, que nem sempre é visível.

Corrosão avançada

Caracteriza-se por perfuração total e perda estrutural significativa. Nesse estágio, a substituição da peça ou do painel é a solução mais segura. Retalhos pontuais podem resultar em recorrência rápida do problema.

Aproveitamento ou substituição

Reparos parciais parecem economicamente vantajosos no curto prazo. Entretanto, quando a corrosão está disseminada internamente, a probabilidade de retorno é elevada. Portanto, a substituição completa frequentemente representa a opção mais eficiente.

Além disso, a troca de componentes garante integridade estrutural e reduz riscos de retrabalho. Em painéis externos, como paralamas e portas, a substituição costuma oferecer melhor custo-benefício ao longo do tempo.

Tratamento químico da corrosão leve

Quando identificada precocemente, a corrosão na lataria pode ser tratada sem necessidade de substituição. Para isso, existem produtos específicos que estabilizam o processo oxidativo.

Convertedor de ferrugem

Transforma o óxido ativo em uma camada passiva, interrompendo a progressão da ferrugem. Além disso, prepara a superfície para receber novos revestimentos.

Wash primer

É um dos produtos mais importantes na proteção da chapa nua. Contém agentes anticorrosivos que promovem aderência química e evitam a propagação da oxidação. Posteriormente, deve receber primer PU, tinta e verniz para proteção completa.

Primer vinílico preto fosco

Possui função semelhante ao wash primer, podendo inclusive servir como acabamento em aplicações específicas. No entanto, também aceita camadas posteriores de pintura.

Microbolhas e falhas de pintura causadas por umidade

Quando a umidade permanece aprisionada sob a pintura, ocorre formação de bolhas após a secagem. Esse defeito indica falha na preparação da superfície ou ausência de proteção anticorrosiva adequada.

Nesses casos, não há solução superficial. É necessário remover todas as camadas até a chapa e refazer o processo corretamente desde o início.

Cuidados essenciais para evitar recorrência

A prevenção da corrosão na lataria depende tanto da execução do serviço quanto da manutenção posterior.

Entre as práticas recomendadas estão:

• Desengraxe rigoroso da chapa antes da aplicação de massa
• Remoção completa de umidade durante o processo
• Proteção imediata de áreas expostas
• Aplicação correta das camadas de primer e acabamento
• Limpeza periódica das regiões inferiores do veículo

Além disso, pequenos danos na pintura devem ser protegidos rapidamente para impedir o início da oxidação.

Abordagem preventiva e orientação ao proprietário

Intervenções precoces reduzem drasticamente o custo do reparo. Portanto, orientar sobre manutenção preventiva contribui para a preservação da carroceria e da pintura.

Lavar o veículo após exposição intensa à chuva, evitar acúmulo de água e proteger a pintura são medidas simples que retardam significativamente o avanço da corrosão.

Conclusão

A corrosão na lataria é um processo progressivo que exige conhecimento técnico para diagnóstico e intervenção adequados. Embora muitas vezes pareça apenas um problema estético, ela pode comprometer a integridade estrutural do veículo e gerar custos elevados se negligenciada.

Portanto, dominar as técnicas de identificação, tratamento e prevenção é essencial para garantir serviços duráveis, seguros e economicamente viáveis. Oficinas que aplicam processos corretos e adotam decisões técnicas fundamentadas consolidam autoridade e elevam o padrão de qualidade do setor.

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